Pode isso?

Alguma coisa esta mudando…

Inclusão de pessoas com deficiência.

Antes, as  empresas criavam as vagas específicas para este público, onde as atividades eram bastante operacionais, e quando administrativas algo bastante semelhante com “tirar cópias, malotes internos, um suporte administrativo e nada mais do que isso.

De uns tempos pra cá o cenário já esta mudando. Ainda existe vagas específicas para PCD sim, mas já com um escopo de trabalho mais elaborado.

Mas já existe uma terceira situação:

A da adaptação do trabalho ao profissional com deficiência, e não do PCD ao trabalho. Ou seja meus caros, O papel se inverteu, e positivamente. Isso é 100%? Não, mas é uma tendência. A tendência da Inclusão efetiva.

Mas o que isso significa na prática?

Significa que as empresas hoje tem que se adaptar ao profissional com deficiência e não o PCD se adaptar as condições que a empresa oferece.

Vou dar quatro exemplos, eles estão relacionados ao esporte. E logo no esporte onde as coisas são tão “certinhas” quanto a regras e resultados.

Pois bem, olhem só com atenção e reflitam sobre este aspecto da inclusão.

Menino Gabriel –  um garoto que é apaixonado por Futebol, e sonha em ser jogador profissional. Mas um detalhe é que ele não tem os pés. Isso mesmo, um menino que sonha em jogar bola profissionalmente não tem os pés. Ele joga com os amigos na escola e sua história comoveu os olheiros do Barcelona.

Escrevi sobre a história do Gabriel em dois posts aqui no blog: https://saiqueagoraeuqueroandar.wordpress.com/2012/07/24/gabriel-e-a-superacao/ e https://saiqueagoraeuqueroandar.wordpress.com/2012/07/29/gabriel-e-a-superacao-parte-ii/

 Kevin Laue – Um jovem que sonha em ser jogador profissional de Basquete. Este é o objetivo de Kevin, que já joga Basquete na Universidade. Detalhe: Kevin, não tem uma das mãos. E nem por isso joga em um time “especial”.

http://globotv.globo.com/rede-globo/esporte-espetacular/v/jovem-americano-kevin-laue-joga-basquete-sem-ter-uma-das-maos/1966047/

Oscar Pistorius – Foi até as semifinais dos 400m nas Olimpíadas de Londres, onde ficou em último lugar. O detalhe é que Pistorius é biamputado dos membros inferiores. Ou seja, sem as duas pernas  mas com uma prótese ele competiu com outros atletas “regulares/sem deficiência” nas Olimpíadas. É verdade que Pistorius também vai competir nas paraolimpíadas, mas isso é mais um detalhe, porque ele provou que é possível! Independente de sua colocação. Grande avanço!

Natalia Partyka – É uma mesa-tenista polonesa, que competiu também nas Olimpíadas de Londres, o interessante é que Natália não tem  a mão direita.

Estas 4 pessoas provaram que é possível?

As pessoas com deficiência nas organizações provam que é possível?

Se sou a favor  do fim das Paraolimpíadas? Absolutamente não.

Se sou a favor do fim de algumas vagas específicas para pessoas com deficiência? Absolutamente não.

A grande reflexão aqui é a mudança deste cenário como um  todo. Pois  antes isso era impossível, você concorda?

Agora estas pessoas já aparecem na fotografia.

As lideranças e pessoas que conduzem programas de inclusão de PCDs devem se atentar para este fato.

O que pode ser considerado também como fruto do próprio trabalho e dedicação destas pessoas que tanto lutam por uma sociedade mais inclusiva. Afinal de contas a luta pela inclusão é contínua e ver estas pessoas com deficiência competindo de igual para igual é no minimo uma provocação positiva.

O que antes não podia, agora começa a aparecer.

Assim como no mundo corporativo onde alguns destes profissionais estudam, fazem suas especializações, aprendem outra língua, montam suas próprias empresas, prestam consultoria, escrevem livros, contam histórias, se desenvolvem e tem objetivos profissionais e pessoais muito bem estabelecidos, por exemplo.

Independente da lei de cotas (e não vamos falar sobre ela neste post.)

A reflexão prossegue a respeito da Inclusão em si. Se estamos no modelo ideal? Não, e ainda estamos  bem longe disso. Mas penso que estes fatos do esporte como este movimento dos próprios PCDs com mais qualificação nos dão uma leve projeção do que de fato esta mudando.

Percebe-se claramente através do esporte que estas pessoas encontraram formas de competir e além de competir é a forma como encontraram de se superar e vencer!

E as tão temidas adaptações nas empresas em relação a acessibilidade não são um bicho de sete cabeças. Envolve esforço, muito planejamento e claro, um bom investimento financeiro. Mas isso se torna tão pequeno perto da vontade das pessoas em se superar!

E ao falar de acessibilidade,isso não vale somente para PCDs, pense que você também vai ficar idoso um dia. Ou pense em um shopping, quantos preferem a escada “normal”? E quantos preferem a “escada rolante ou elevador”? Assim também deve ser encarada a acessibilidade nas empresas pomba! rs É bom para todos!

Não cola mais ficar criando postos de trabalho para colocar o maior número possível de PCDs, para cumprir cota somente? Cota não é inclusão. (E olha que eu falei que não entraria no assunto cotas, pronto parei).

Volto a destacar cabe as empresas se adaptarem a pessoa com deficiência e não ao contrário.

Hoje ouvi uma frase interessante: “Empresas investem em MBAs no exterior para seus funcionários, mas não são capazes de adaptar um banheiro para cadeirante”.

… E então, Gabriel, Kavin, Oscar e Natália, competir de igual para igual?

Pode ISSO? Se não podia, agora…

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