Respeito, Racismo, Preconceito, Discriminação!

TINGA

NOTA : A reflexão a seguir não esta relacionada OU vinculada  com  empresa qual trabalho atualmente. O texto abaixo é uma abordagem genérica .  Trata-se de opinião pessoal.

Acredito que pelo menos 95% das pessoas que me conhecem ou que passam aqui pelo meu blog sabem que eu tenho uma deficiência física. (E quem não sabia, esta sabendo agora).

Passo por diversas situações no dia-a-dia relacionadas ao fato de eu ter uma deficiência. Muitas destas eu acabo relatando aqui no blog.

Alguns sabem também que  trabalho diretamente com a inclusão de pessoas com deficiência. E mesmo fora do ambiente de trabalho fico atento aos acontecimentos relacionados a este público. Tais como: A inclusão de PCDs, esta sendo realmente efetiva? As empresas estão preocupadas apenas com a cota? (Lei 8213/91). Quais as dificuldades encontradas? Como lidar com questões ditas complexas?

Poucas são as organizações que conseguem lidar com a inclusão de pessoas com deficiência de forma natural. Poucas proporcionam a equidade. E as dificuldades apresentadas são praticamente as mesmas. Como diz o ditado popular: “apenas  muda de endereço”.

Sempre que falo sobre inclusão de pessoas com deficiência , a primeira coisa que penso é no respeito ao ser humano. E diante deste ponto de partida, consigo visualizar os próximos passos para que a inclusão ocorra de forma sadia e tranquila para ambas as partes (empresa e pcds).

O respeito deve nortear tudo que pensarmos na sequência de qualquer projeto de inclusão. Da mesma forma como o segurança deve ser respeitado. Assim como o diretor, presidente, gerente devem ser respeitados. O respeito é para todos. TODOS.  Com um olhar mais detalhado, devemos considerar que aquele que pendura um crachá no pescoço tem suas próprias características e personalidade.  Respeitar isso é a grande questão. Extrair de cada profissional o seu melhor, sem deixar que ele deixe de ser quem ele é em sua essência . Ah! Mas o pessoa precisa se adaptar ao perfil da empresa! Sim, concordo. Precisa haver flexibilidade e alinhamento com o negócio. Mas isso não pode anular ou moldar a pessoa por completo. Afinal, somos bois? Não. Somos pessoas.

Gosto muito da definição de Reinaldo Bulgarelli. (Pessoa qual não tive a oportunidade de conhecer pessoalmente, mas que realiza um trabalho extraordinário  se tratando de diversidade). Bulgarelli diz em seu livro “Diversos somos todos” : Não basta dizer não à discriminação, é preciso dizer sim à diversidade.

As organizações investem em programas de desenvolvimento pessoal/profissional para seus colaboradores. Financiam graduação e pós graduação. Cursos de idiomas. Cursos técnicos. Há um grande investimento em segurança e no próprio meio ambiente. (E acho isso fantástico).

Mas não vejo um grande movimento por parte das empresas em relação ao respeito. Ao trato com o colega.  Isso mesmo. Parece algo tão simples. Porém é algo que precisa sim ser discutido.

A questão do respeito é algo que precisa ser tratado pedagogicamente . É difícil ter que explicar isso. Mas penso que precisamos voltar para aprender sobre o respeito.

Por isso, sugiro que as organizações incluam a diversidade em seus módulos de liderança. Incluam o assunto: respeito em seus workshops, palestras  e treinamentos. Precisamos lutar por ambientes inclusivos e de respeito ao ser humano.  Empresas precisam respeitar mais seus colaboradores e clientes.

Para os consultores e analistas de RH de plantão, penso que há uma grande oportunidade! Por que não elaborar discussões sobre diversidade? Grupos de discussão sobre respeito?

Mas talvez o ponto principal deste texto é trazer dois exemplos ressentes:

Professora universitária Rosa Marina Meyer está no meio de uma polêmica, após um comentário no Facebook. Rosa Marina, que ocupa o cargo de diretora da Coordenação Central de Cooperação Internacional da PUC Rio, publicou uma imagem em seu perfil, onde aparece um homem lanchando antes do embarque no Aeroporto Santos Dumont. Na legenda, uma pergunta irônica: “aeroporto ou rodoviária?”.

Logo abaixo, a professora de Português para Estrangeiros completa: “O pior é que o Mr. Rodoviária está no meu voo! Ao menos, não do meu lado! Ufa!”. Outra professora da PUC-Rio, também de Letras, Daniela T. Vargas, também comenta: “O pior é quando esse tipo de passageiro senta exatamente do seu lado e fica roçando o braço peludo no seu, porque – claro – não respeita (ou não cabe) nos limites do assento”.

Leia mais: http://extra.globo.com/noticias/educacao/vida-de-calouro/professores-universitarios-ironizam-foto-de-passageiro-em-aeroporto-11526064.html#ixzz2tDEEKJEp

O outro fato lamentável esta relacionado ao esporte.

Ontem 12/02, o time do Cruzeiro fez sua estreia na Taça Libertadores da América. O time de Minas Gerais jogou no Peru contra o Real Garcilaso. No segundo tempo houve uma substituição: O jogador Ricardo Goulart deu lugar ao volante Tinga. E toda a vez que Tinga pegava na bola, a torcida local fazia um barulho de macaco. Hostilizando o jogador brasileiro que é negro. No fim do jogo, Tinga declarou:

– Eu queria não ganhar todos os títulos da minha carreira e ganhar o título contra o preconceito contra esses atos racistas. Trocaria por um mundo com igualdade entre todas as raças e classes.

Fonte: http://globoesporte.globo.com/futebol/times/cruzeiro/noticia/2014/02/altitude-apagao-vestiario-sem-agua-e-racismo-saga-do-cruzeiro-no-peru.html

Perceba que os dois tristes e revoltantes casos citados acima estão relacionados a Educação e ao Esporte. E você acha isso normal?

Tinga diz que trocaria todos os títulos da carreira por um mundo de igualdade. E você? Abriria mão do conforto da sua confortável  cadeira gerencial para se envolver em questões pertinentes ao respeito? Abriria mão de algumas horas para planejar algo com esse objetivo para tratar com seus colaboradores?

Ah, mas lidar com questões de diversidade, inclusão e respeito gera muito desconforto, é polêmico, etc  . Mas prefere ficar “confortável” diante de atos que acontecem debaixo de seus olhos, mas você não vê? Como é tratado o cliente que chega de chinelo de dedo em sua loja?

Infelizmente este é o cenário em que vivemos. Podemos aceitar passivamente e fingir que esta tudo bem. Afinal de contas, pimenta no *** dos outros é refresco!

Ou então agir de uma maneira diferente. Independente de sua profissão, ou cargo que ocupe. Pratique ações que reforcem o respeito.

Que valores e princípios vamos deixar para as próximas gerações?

É normal um grupo de pedreiros chamar uma moça que passa na rua de gostosa, ou coisas até piores? Você por acaso já “defendeu” alguém que passasse por tal constrangimento ou riu junto com o grupo?  Por outro lado: É normal achar que todo pedreiro age de tal forma?

Como já escrevi no blog anteriormente: gostamos de generalizar!

Pessoas são desrespeitadas por serem negras, gordas, evangélicas, gays, por terem deficiência, por falar grosso, por falar fino. Por serem loiras. Por serem gaúchas ou nordestinas. Por ser isso ou aquilo  Por ser alto ou por ser baixo. Por torcer para time A ou B.

Pessoas tem sido desrespeitadas em todos os momentos , em todos os lugares.

O que eu e você podemos fazer para mudar isso? Nada como dar um bom exemplo!

Respeitando o próximo e não deixando que atos desrespeitosos sejam vistos de forma natural.

Estamos retrocedendo quanto seres humanos? A tecnologia avança. A ciência avança. Mas o ser humano parece cada vez menos preocupado com o outro. Cada vez mais o “eu” se torna literalmente o centro das atenções.

Certa vez, ainda na faculdade entramos em uma discussão sadia do tipo: Funcionário que aborda mulheres (colegas de trabalho)  com uma comunicação de baixo calão pode ser demitido? Infelizmente foi constatado que em algumas empresas isso parece ser normal. E segundo alguns colegas, não haveria possibilidade de punir a todos. Ai eu pergunto: Então precisamos nos conformar com o desrespeito porque faz parte da cultura da empresa?

Precisamos agir em cada ato de desrespeito e  discriminatório. Jamais assistir estes fatos de braços cruzados.

A Tal professora , provavelmente será processada. O time peruano certamente sofrerá punições. Mas será que é o suficiente? E você o que acha disso tudo? Comente! Compartilhe!

#FechadoComOTinga

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