O que passou, passou…

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Me converti “oficialmente” entre 1999 e 2001. Digo oficialmente, porque sempre cresci em igreja evangélica. Sempre tive os ensinamentos bíblicos e tals. Mas, seguir a Cristo pra valer, foi entre este período de 2 anos. Vejo como um tempo de mudanças. E de lá pra cá. Não largo Jesus e ele não me larga.

Estamos em 2014, e hoje começo a observar quanta coisa ja vivi neste tempo. Muitas coisas boas! Muitas mesmo! Experiências verdadeiras e genuínas com Deus. Tive uma ótima base, e particularmente tive uma ótima base pastoral. Mas de modo geral qual era o pano de fundo de tudo isso? O que estava acontecendo no Brasil  naquela época e o que acontece nos dias de hoje?

No fim da década de 80, até chegarmos ao inicio dos anos 2000, o salto do povo  evangélico foi realmente considerável, e graças a Deus por isso. E por dizer “o salto” não estou me referindo a “sapatinho de fogo”. Salto quantitativo. Mas qual era a escola que conduzia esse crescimento? Era o crescimento cristão?

Cristo? Arrependimento? Morrer para si mesmo? Viver pelo próximo?

Sim e Não . O que vi, acompanhei e em alguns momentos  até vivi neste período foi uma teologia ou uma doutrina focada em:

Novo mover, novo tempo profético, unção de multidões, lider de gerações, reuniões prá lá de demoradas. E não é exagero dizer que até uma certa idolatria rolava em função do líder A ou B do ministério profético apostólico estranbológico sei lá de onde…. Idolatria é muito forte? Pois é, mas … Ah vamos receber o fulano de tal, líder de multidões que trará ensinamentos proféticos para um novo tempo profético e blá-blá-blá.

Igrejas correndo atrás de um número X de membros. Deus revelou ao apóstolo fulano que contou pro pastor que tomou posse e pela fé concentrou todos seus esforços para atingir esta meta.

Algo do tipo pirâmide. Que definitivamente no Brasil não pegou muito bem!, vc tem um e terá 12 e terá 144 etc….

Pode ter funcionado muito bem na Colômbia por exemplo, e isso é legal de ser comentado. Mas para o modelo do Brasil não deu certo.

Creio que Deus respeita inclusive as culturas. E copiar um modelo não significa que este modelo terá êxito. Nos maiores casos que conheci: fracassou! e fracassou feio!

Isso sem contar os moveres proféticos, e atos proféticos pouco embasados na bíblia. Ora Jesus já levou o julgo, já tirou a chave das mãos do capeta e ai ficamos atrás de “mover” ou de “atos proféticos”. Não né?

Vivi em um tempo onde os ministros de louvor gostariam de cantar como a Ana Paula Valadão, ou o seu irmão André Valadão. (Nada contra os irmãos Valadão, pelo contrário, respeito o ministério que Deus deu PARA ELES) que deve ser diferente do ministério que Deus dá para esse ou aquele. Mas vi muitos lideres de louvor postarem a voz para se parecerem com eles. Ai não né?

O fruto disso nos dias atuais é :  cópias, traduções de canções de outros países e pouca criatividade, pouca arte.

Aliás, Arte , é o que quase não se vê por aqui.

Sim, eu sou daquela geração que pula, dança, sabe? A geração dos brados de vitória!

Estou esperando esse novo tempo profético até hoje. E o que mudou? Sim devemos celebrar e pular, mas com propósito e não por causa de algo lá longe! deve ser por Cristo e PARA Cristo. Ai sim!

Duras críticas? Veja, creio que haja profetas de Deus em nossa geração. Creio no “mover” de Deus. E ainda acredito em atos proféticos he he he. Mas uma coisa eu percebi: Não é isso que move a minha fé! Minha fé é baseada na palavra de Deus. Por que este mover todo que era por eles prometido não aconteceu. As multidões não nos seguiram . O que era doze não se tornou pai de multidões. Aliás, muitos deles se frustraram e hoje sequer seguem a Cristo. (Triste isso).

Também não sou contra Diante do Trono, não sou contra quem pula e grita nos cultos. Mas isso não vai fazer com que a pessoa de fato permaneça no caminho.

Tenho algo muito forte pra compartilhar: Muitas e muitas pessoas oravam para que eu recebesse a cura das minhas pernas. Todo “evento” profético, ou qualquer conferência que tivesse um “ungido(a)” de fora da igreja local era a oportunidade para que eu fosse curado. Pessoas me cercavam e criavam expectativas quanto a isso. E isso não era ruim. Cresci muito na fé enquanto vivi estes fortes momentos. Bem, eu cresci, mas muitos destes que tanto oraram pela minha cura, sequer seguem a Cristo nos dias de hoje.

Por isso, por mais que estas coisas nos empolguem , elas não são raízes para a nossa fé. Claro que continuo crendo que um dia minha situação pode mudar. Mas se não mudar. Continuo com #passosfirmes. Por causa da palavra que esta escrita no meu coração e não pelo “mover”.

Depois que a estratégia não funciona é muito fácil dizer que foi uma direção de Deus.

E ao observar um outro ponto é válido pensar que muitos lideres religiosos usavam as emoções das pessoas para atingirem sua fé e seu bolso inclusive. Ou você nunca ouviu falar em oferta profética? Não que não haja de forma verídica,  mas …enfim…

Mas qual o verdadeiro motivo deste texto? Não é apontar a igreja A ou B como errada. Não, mas é uma crítica geral as igrejas neopentecostais . Algumas delas sobreviveram estes últimos 10, 15 anos da mesma forma . Outras já se ligaram e declinaram desse “mover” e hoje seguem a luz da palavra como base da fé. (Coisas que nunca deveriam ter deixado de fazer). E outras ainda estão neste processo de adaptação. Acordaram! Opa! Chega!

Um outro fator não menos importante: Qual o principal público destas igrejas nestes períodos mencionados acima? Jovens! E ai estes jovens de 17 a 25 anos foram se tornando adultos. Adultos e cristãos mais maduros. Adultos, cristãos, maduros e saturados com isso tudo! Saturados e questionadores da sociedade, da política. E da igreja também? Afinal, que coisa é essa que estávamos vivendo? As hierarquias destas igrejas eram totalmente fechadas e centralizadoras, e isso precisou mudar. A igreja precisa ser colaborativa, e o líder cristão precisa ser modelo, precisa dar exemplo!

E ainda mais agora , a próxima geração será ainda mais questionadora. Resta saber se eu e você , ou nossos líderes e pastores saberão responder tantas indagações a respeito de fé.

Uma igreja de verdade se importa com pessoas. Trabalha para pessoas, planta e colhe seus resultados. E não fica na utopia, em busca de palavras proféticas. Sinceramente, acho que o melhor de Deus eu recebo todos os dias quando acordo. Sinceramente creio que o espírito é derramado todos os dias sobre minha vida. Não posso focar e esperar por isso como algo que um dia acontecerá. Pois já está a disposição.

Não estou desprezando palavras proféticas, professias ou até mesmo um tempo de renovo do Espírito. A diferença é que a minha fé é baseada em amar a Deus e amar o próximo. Em dar os frutos desta minha fé. E deste  evangelho que vivo.

Também não coloco em questão estilos doutrinários, temos uma variedade, basta se identificar e pronto.

Para concluir , penso que as conferencias proféticas são importantes. aliás, não menos importante do que uma conferência sobre arrependimento, perdão, graça, morte da carne, etc. 

Quero viver um evangelho prático, de oração, gratidão, arrependimento e amor. E o que for “profético” que seja realmente verdadeiro! Assim eu oro.

O que passou , passou. O que fica mesmo é a luz da palavra de Deus!

 

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