Sobre “rótulos”, barba e “chamar pelo nome”

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É impressionante como nós temos o costume de “rotular” as pessoas.

E pode-se dizer que isso é feito de maneira já habitual.

No meu caso é muito comum as pessoas falarem: O Rafael, que anda torto! Ou ainda, o PCD (sigla de Pessoa com Deficiência), enfim. Estou quase sempre relacionado ao meu problema físico. Seria essa a minha principal caraterística?

Como eu sempre digo, eu não sou só pernas, tenho outras caraterísticas, assim como qualquer outra pessoa.

Então vamos falar sobre a minha barba. Tenho pelo menos três boas razões:

Primeiro: Eu gosto de ficar assim durante o inverno. Me sinto bem! (Aliás, só por este motivo já seria o suficiente).

Segundo: Minha esposa também gosta.

E em terceiro, as pessoas tem uma outra característica para se referir a minha pessoa. Agora, “O barbudo” e não somente aquele que anda torto, ou que tem problema, deficiência, etc. Já que rotular é tão normal assim, fiquem a vontade em relação a minha barba.

Pode ser que “semana que vem” ,“mês que vem” eu decida deixar de ter barba, e resolva tirá-la, mas no momento não!

José do Egito era conhecido por ser “o sonhador”. Davi “pequenino e ruivo”. João Batista, provavelmente era visto como um “esquisito”, e assim por diante.

Não vejo problemas em citar algumas caraterísticas das pessoas. O grande problema é limitá-las a estas caraterísticas e julgar o todo que o torna de fato uma pessoa.

O gordo, ou “o gordinho”, aliás, tudo com “inho” é ainda mais pejorativo.

Quando meu irmão começou a frequentar a mesma igreja que eu frequentava, as pessoas se dirigiam a ele como: “o irmão do Rafa” e não, como : Rodrigo, ou Everton. (O nome dele é Everton Rodrigo, mas é mais conhecido como Rodrigo)

Demorou algum tempo para ele conquistar o espaço dele com as pessoas, e hoje ele é conhecido por ser quem ele é, e não somente por ser meu irmão.

Fato parecido aconteceu com a Giana, que era chamada de “a namorada do Rafa”. Mas foi conquistando seu espaço e logo foi sendo chamada pelo nome.

Obviamente que algumas pessoas até preferem ser chamadas de acordo com uma caraterística especifica. Por exemplo: o vendedor de pipoca que quer se candidatar a vereador, pode optar em usar o fato de vender pipoca como marketing. Ex “João da Pipoca”. Mas se trata de uma opção.

Ser lembrados como: aquele que anda torto, aquele gordo, aquela “polaca”, “o irmão do Rafa” ou “o fulano da empresa X, e tantos outros exemplos, não é algo saudável. Repito, a caraterística pode até fazer parte da pessoa, mas a pessoa não é a somente aquela característica.

Uma boa alternativa para fugir um pouco destes rótulos e procurar decorar o nome das pessoas, e em caso de dúvida, perguntar a ela mesma, como gostaria de ser chamada. Assim elimina a necessidade de encontrar um rótulo específico. Mesmo que as outras pessoas o façam, seja diferente!

Ainda falando sobre decorar nomes, muitas pessoas tem esta dificuldade, mas é um exercício fundamental para expressar de fato a importância de cada um.

Até mesmo entre cristãos, é comum ouvir “irmão”, mas muitas vezes não sabemos ou não lembramos o nome daquele irmão ou irmã.

Chamar e se referir ao próximo pelo nome é sinal de respeito, honra, cuidado e atenção.

Vou citar dois trechos do livro : Como fazer amigos e influenciar pessoas, do autor Dale Carnegie:

“Enquanto mais e mais pessoas tem dificuldade para lembrar nomes, aí esta uma vantagem a ser conquistada por quem conseguir se lembrar.”

“Nós devemos estar sempre conscientes da mágica contida no nome de uma pessoa e perceber que essa palavra é prioridade completa e absoluta dessa pessoa que estamos lidando, e de ninguém mais. É a marca registrada da pessoa. Após o dom da vida, o nome de uma pessoa é o primeiro presente que ela recebe”.

 Não é ser chato, é ser cuidadoso e respeitoso. Cada pessoa tem um valor que vai além de fatores externos, como cabelo, barba, cor, deficiência, etc. Cada pessoa é especial!

Olhar nos olhos, chamar pelo nome antes de se atentar a qualquer caraterística que seja é uma prova de : “Eu realmente me importo com você”

 

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