Sobre preconceito, padrões e passos firmes

garota-verao

Foto: Zero Hora/Clic RBS

Alguns “personagens” me chamaram a atenção nestes últimos dias. E é sobre eles que vou falar.

Começo com um ladrão que foi preso no Paraná  por praticar assaltos. Ele estava sempre armado e vinha praticando estes crimes quando foi pego pela polícia. O curioso é que o mesmo não tinha uma perna. O repórter então perguntou:

– “Como você assaltava, e ainda fugia dirigindo só com uma perna?”

Ele prontamente respondeu:

– “Eu sou ladrão, só não tenho uma perna. Não é porque não tenho uma perna que não posso ser ladrão!”

Sabe que ele tem razão! Obviamente não estou me referindo à prática dos crimes, mas no conceito apontado por ele. Afinal, a deficiência não o impedia de ser um ladrão sem vergonha! A questão ali está muito mais relacionada ao seu caráter do que com sua deficiência. Ou seja, ele não usou isso como uma muleta (literalmente).

Quero também falar da Natache Iamaya. Esta moça foi eleita musa do topless no Rio de Janeiro. Não estou falando dela para falar dos seus seios, e sim, para contar que ela também é cadeirante. O concurso era a respeito de seios, certo? Então, ela venceu! A deficiência não a impediu. Simples assim. Não se tratava de um concurso de quem caminha mais rápido. Era seios sacas? TETAS, (no popular). Uso o exemplo dela com todo o respeito a minha esposa, a vocês leitores e até mesmo a própria Natache. Por outro lado, a grande mídia enfatiza o fato dela ser cadeirante e tal. Enquanto eu vejo isso apenas como uma de suas características.

Veja, a outra vencedora do concurso é Karla Klemente e quase em todos os sites que li, a informação é que Karla é bailarina. Bem, uma é bailarina e outra cadeirante. Cadeirante é uma profissão agora?

Claro que o fato dela ser cadeirante chama a atenção e esse foi o objetivo de trazer o exemplo de Natache, mas o meu destaque é por conta de colocarem o “cadeirante” como se fosse uma profissão.

top_2_cortado

O outro, e não menos importante exemplo, é da adolescente Vanessa V Braga de Canguçu, no RS. Estou me referindo a estudante de 14 anos que participou de um concurso de beleza do estado. Ela desfilou de biquíni para mais de 3 mil pessoas na eliminatória. A grande incentivadora para que Vanessa participasse do concurso foi sua mãe. Acabou que a menina ficou conhecida, e, rapidamente seu nome já estava “bombando” nas redes sociais. Isso por conta do peso, considerado fora dos padrões das meninas da sua idade.

Vanessa não estava nem aí. Desfilou e quebrou paradigmas. Em uma de suas entrevistas, ela disse:

– “Tenho 1,61m e 70kg, sempre fui cheinha, mas eu me acho bonita. Adoro meus olhos e meu cabelo”.

E só de pensar que tem muita menina que fica se achando feia e vive em busca do corpo perfeito… Enquanto isso, encontramos uma Vanessa que se acha bonita e ultrapassa limites dando um chute no preconceito.

O que percebemos nestes três casos?

Que o preconceito está em todos os lugares. Ainda bem qe existem pessoas dispostas a vencer este desafio!

Trabalho com inclusão de pessoas com deficiência e hoje mesmo tive que lidar com uma situação muito chata onde uma pessoa generalizou o grupo de “pessoas com deficiência” por uma experiência ruim com apenas uma pessoa, e que estava relacionado ao comportamento e não a deficiência. Mas segundo ela, “eles são muito…” (prefiro não continuar)

Todos os dias é uma luta, todos os dias tenho que provar algo. Aliás, será mesmo que preciso provar? Preciso viver os propósitos de Deus pra mim, mas provar algo para as pessoas, de fato não preciso. Também não sou dependente de uma cota ou de um sistema. Dependo de Deus e Ele tem me dado #passosfirmes e isso tem sido o suficiente. A graça Dele tem sido suficiente.

Se eu tivesse oportunidade de conversar com aquele ladrão, ia dar parabéns pra ele. Não pela atitude de roubar, mas pela superação e de como ele poderia usar isso a favor do bem. E quem sabe dar uma virada na vida ?

Se eu tivesse oportunidade de conversar com a Natache, não iria reparar em seus seios ou elogiá-la por seus “atributos”. E sim, pela sua coragem. E de forma respeitosa parabenizá-la por vencer o concurso.

Se eu tivesse oportunidade de conversar com a Vanessa, também iria parabenizá-la pela coragem e dizer-lhe o quanto Deus a  ama e o quanto ela é toda linda aos olhos do Pai.

Assim como eu quero um dia poder conversar com Herbert Vianna, e Lais Souza e contar pra eles sobre meus #passosfirmes. (isso é assunto para um outro post…)

Anúncios