Artista e Solitário?

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Em algumas conversas sobre arte, uma coisa ficou muito evidente pra mim: O artista tem seus momentos de solidão.  Mas que tipo de solidão é essa? Como assim?

Independente do segmento da arte, afinal não esta relacionado ao tipo de arte em si e sim ao artista.

Quem já assistiu o filme “O palhaço” de Selton Mello, percebeu esta crise e solidão.

Penso muito a respeito destes fatores que de certa forma acabam isolando o artista em algum determinado momento. Como por exemplo a falta de apoio ao compartilhar novas ideias e projetos. Porque mais importante do que compartilhar algo, é saber se aquela pessoa é a pessoa certa para isso. Infelizmente se for alguém que não tem nenhuma proximidade com qualquer área artística que seja, dificilmente você terá um feedback construtivo a respeito daquele projeto. O que pode acontecer é a pessoa dar um tapinha nas suas costas e dizer: que legal! E talvez você ganhe um : “Deus te abençoe”. Não estou dizendo que devemos em todo o tempo buscar estas conversas com artistas, mas com alguém que se interesse pelas artes. Essa pessoa vai entender este contexto.

Particularmente gosto muito de ouvir pessoas de diversos segmentos artísticos, isso me ajuda bastante. Aliás, a Bíblia ensina isso:

“Os planos fracassam por falta de conselho, mas são bem-sucedidos quando há muitos conselheiros.” Provérbios 15.22

E busco esse ensinamento. são pessoas dispostas a caminhar junto e isso é muito produtivo e rico. Mas há uma escassez preocupante neste sentido. Afinal são poucas  as pessoas que você encontra coma visão de excelência nas artes. E se tratando de arte cristã, ainda mais. Deveríamos ter tomado um posicionamento diferente. Realmente uma postura como corpo, de auto-ajuda. Mas ainda estamos distante deste fato.

A falta de recursos financeiros também é outro. Passei por isso durante o processo de criação do meu primeiro livro : “passos firmes”, onde muitas pessoas diziam que apoiariam, achavam legal, elogiavam e quando precisei de apoio e recursos, pouquíssimos foram aqueles que de fato se dispuseram financeiramente em ajudar. E isso não aconteceu somente comigo, mas com outros artistas com quem converso. Esse é um fator bem crítico, pois na igreja por exemplo, prega-se muito a respeito de ajudar o próximo, abençoar o próximo, etc. Mas na prática infelizmente não é bem assim que a coisa funciona quando o assunto é abençoar o artista. Aliás, o jogo se inverte onde o artista tem quase que uma obrigação em abençoar o Reino. Mas ai a discussão fica por conta de dom (aquilo que Deus deu e deve ser repassado de graça) e aquilo que Deus nos deu como talento  (que de fato tem o seu valor).

Não dá para esperar de braços cruzados. O artista precisa ter convicção a respeito daquilo que ele se propôs a fazer e apesar das dificuldades, buscar fazer bem feito.

Listei aqui apenas dois fatores. Acredito que temos mais alguns para discutir, mas o post iria ficar bastante extenso. Aliás, se você é um artista ou esta relacionado com as artes de modo geral, pode me mandar alguma sugestão, ok?

Finalizo este post com um reflexão de Francis A Schaeffer

Assim, a pessoa que realmente ama a Deus, que trabalha sob o senhorio de Cristo, pode escrever sua poesia, compor música, confeccionar instrumentos musicais, esculpir estátuas, pintar telas – mesmo que ninguém jamais veja. Ela sabe que Deus vê.

Apesar de todas as dificuldades no caminho. Falta de apoio, de dinheiro, e talvez até falta de inspiração para o próximo projeto. Lembre-se que  este deve sim ser o principal apego do artista Cristão:  Embora solitário. Deus o vê. E Deus aprecia sua arte. A dependência deve ser totalmente Dele e Ele abre portas que jamais vão se fechar.

Apenas continue!

 

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